Rumo vai ampliar a FERRONORTE com seu próprio caixa sem ajuda do governo.

 

Rumo diz ter R$ 6 bi para alongar Ferronorte
27/11/2017 – Valor Econômico
Num aceno ao governo para que antecipe a renovação de suas concessões, a Rumo Logística, uma das maiores empresas do ramo no Brasil, garante que já levantou os R$ 6 bilhões – sem apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – para viabilizar, em quatro anos, uma extensão de 650 quilômetros da controlada Ferronorte, ligando Rondonópolis a Sorriso, no Mato Grosso.

O dinheiro viria do caixa próprio da companhia e de investidores estrangeiros, que já demonstraram interesse em entrar no negócio, disse o presidente-executivo da Rumo, Júlio Fontana Neto, no “Fórum Ferrovias e a Integração dos Modais”, em Nova Mutum (MT), região médio-norte do Estado. “Não vai ter um centavo de dinheiro público”, disse ele.

Com esses investimentos, a concessionária teria a oportunidade de avançar justamente até o médio-norte do Mato Grosso, região que mais produz soja e milho no Estado, que é o líder na produção brasileira de grãos. Hoje, a Ferronorte parte de Rondonópolis (MT) e se conecta à Malha Paulista – outra concessão da companhia, que corta São Paulo – até o Porto de Santos (SP), onde a empresa detém 50% da movimentação de cargas.

“Pela lei, eu posso pedir ao BNDES, mas queremos fazer com investimentos próprios”, afirma Fontana Neto. “Mas já fizemos estudo do traçado, localização dos terminais de transbordo. O futuro da companhia é chegar mais perto do centro de produção”, lembrou o executivo.

Por outro lado, Fontana observou que, antes da extensão da Ferronorte sair do papel, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) precisa renovar por 30 anos a concessão na Malha Paulista. A ANTT, no entanto, até chegou a estimar para outubro a assinatura dessa renovação, mas ainda avalia o pedido.

Em vigor desde maio, a MP das Concessões, que permitiu a prorrogação de várias concessões de infraestrutura do país, flexibilizou as regras para as concessionárias de ferrovias pedirem a renovação antecipada de seus contratos. Justamente o que defende a Rumo. A concessão da Malha Paulista vence em 2028, enquanto a da Ferronorte vence em 2079, por exemplo – as duas malhas se conectam.

Fontana Neto também voltou a estimar que, somente por conta da prorrogação da Malha Paulista, a capacidade total de transporte de grãos pela Rumo deve mais que dobrar a capacidade de transporte, para 75 milhões de toneladas, dentro de cinco anos. Hoje, a companhia movimenta 35 milhões de toneladas ao longo de 12,9 mil km de trilhos suas quatro ferrovias.

Além das malhas Paulista e da Ferronorte, a concessionária opera as malhas Oeste e Sul. “Já estamos na fase final dos investimentos na Malha Paulista, que começaram nos últimos anos e vão totalizar R$ 4,7 bilhões”, disse.

Ao mesmo tempo em que se estusiasma com as oportunidades geradas pela possível ampliação da Ferronorte, porém, a Rumo descarta qualquer interesse na Ferrogrão, concessão desenhada pelo governo que só deve ser licitada em 2018 e que ligaria Sinop (MT) a Miritituba (PA). “Hoje, a Ferrogrão não é interessante para a Rumo. Meu negócio é mais ir para baixo, do que para cima [Arco Norte]”, concluiu Fontana.

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