Frente pela volta das FERROVIAS leva a Brasília

Reivindicações por mudanças no projeto nacional do setor

Ferrofrente defende a ampliação do transporte de passageiros por meio de linhas férreas e apresenta a grupo de representantes da sociedade civil proposta para a paralisação da renovação antecipada dos atuais contratos de concessão, que, segundo a entidade, é prejudicial ao país

Com audiências no TCU, STF e ANTT, a Ferrofrente (Frente Nacional pela volta das Ferrovias) realiza na próxima quinta-feira, dia 4 de outubro, uma agenda em Brasília para defender mudanças no projeto nacional para o modal ferroviário.

Ao lado da Ferrofrente, participam da iniciativa associações ligadas a categorias econômicas e profissionais, além de pessoas físicas, tornando o grupo legítimo representante da sociedade civil. O objetivo é definir uma pauta única que seja levada ao Supremo Tribunal Federal, a fim de que a relatoria do STF decida a favor da medida cautelar proposta pela Procuradoria Geral da República para impedir a renovação antecipada dos atuais contratos de concessão de ferrovias

Entre outras reivindicações, o objetivo da frente é discutir a matriz ferroviária e angariar apoio entre as autoridades para ampliar a participação das ferrovias no transporte de carga e passageiros.

“A greve dos caminhoneiros demonstrou o quanto é danosa ao país a nossa dependência do transporte rodoviário. Toda nação com economia forte possui um projeto estruturado de ferrovias, exceto o Brasil”, argumenta José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente da Ferrofrente.

José Manoel considera uma grande ameaça a renovação antecipada das atuais concessões de ferrovias, que está sendo pleiteada pelos grupos que detêm esses direitos.

“Da forma como está organizada hoje, a utilização das ferrovias só está a serviço do escoamento de matérias-primas de um reduzido grupo empresarial, sem atender a interesses coletivos e beneficiar as cidades cortadas pelas ferrovias. Esses grupos acenam com investimentos pontuais para conseguir a renovação das concessões até 2058, o que seria catastrófico para o país”, comenta o presidente da Ferrofrente.

Hoje, o transporte de passageiros por via ferroviária fora das regiões metropolitanas é praticamente inexistente. José Manoel aponta a falta de interesse dos atuais operadores como um dos fatores que colaboram para esse cenário.

“Nossa proposta, que será discutida para ser apresentada, é que o modal ferroviário responda por pelo menos 35% do transporte de passageiros no país”, afirma. “Para que isso ocorra, é preciso garantir o direito de passagem, relativizando a exclusividade de quem detém as concessões”, completa.

Ele acredita que se o Brasil sinalizar uma mudança de prioridades, o país poderá atrair grandes investimentos para o setor ferroviário. “Temos um mercado potencial enorme o suficiente para promover investimentos na indústria ferroviária brasileira e a abertura de licitações internacionais bastante concorridas para os trechos existentes, que inclusive poderão trazer novas tecnologias nessa área para o país”, defende José Manoel.

A Ferrofrente prepara documento a ser entregue ao futuro presidente da República com alternativas à renovação antecipada das concessões do setor. Um novo marco regulatório para a concessão de ferrovias é um dos pontos cruciais da proposta.

Paralelamente, o grupo está solicitando medidas cautelares para suspender as renovações de concessões, com a exigência de audiências públicas antes de cada resolução. É o caso da renovação de concessão da Malha Paulista, antecipada em agosto. Ela venceria em 2028, mas será prorrogada para até 2058, a se confirmar a proposta já aprovada pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). O processo de renovação, contudo, depende da aprovação no âmbito do Ministério dos Transportes, e é exatamente junto ao Ministério que a Ferrofrente vem atuando no momento.

Link: http://www.cargonews.com.br/frente-pela-volta-das-ferrovias-leva-a-brasilia/

Mais de 30% da malha ferroviária estão inutilizados, diz estudo da CNI

Superação dos gargalos passa pelo aumento da conectividade do sistema

Repórter Brasil

No AR em 07/06/2018 – 20:30

Um estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mostra que mais de 30% da extensão de trilhos ferroviários do país estão inutilizados e 23% estão sem condições operacionais.

Link: http://tvbrasil.ebc.com.br/reporter-brasil/2018/06/mais-de-30-da-malha-ferroviaria-estao-inutilizados-diz-estudo-da-cni

‘Revista’ deste sábado (21) falou sobre a paixão por trens

 

Teresa Freitas conheceu a ferrovia que foi construída em uma fazenda de Vassouras

ocê pode até não ser um desses fanáticos por trens, mas aposto que quando escuta o som do apito deles, seu coração bate diferente, mais forte! E foi pensando nisso, que o Revistadeste sábado (21) reuniu histórias de muita gente que guarda uma paixão por esses gigantes! Então, você é o nosso convidado para essa viagem!

Acredite: trilhos, túnel, lugar para virar a locomotiva, alavancas para trocar de linha e ponte sobre o lago! Tudo foi construído na fazenda do senhor Nélio Carvalheira, em Vassouras. É que um dia ele se apaixonou pelos trens e, a partir daí, quis apresentar aos mais jovens, que não tiveram a oportunidade de andar nas locomotivas, como antigamente, e proporcionar aos mais velhos, que também têm saudade de passear em uma ferrovia, esta experiência incrível! E na companhia de outros visitantes, Teresa Freitas embarcou na aventura! Incrível!

Ah, a ferrovia do senhor Nélio já foi cenário de clipes famosos também e, na lista, Chitãozinho e Xororó, Roupa Nova! Chique, não é?!

Agora, você sabia que o primeiro filme da história tinha um minuto e mostrava apenas um trem parando na estação? Esta cena tão simples espantou, na época, toda a humanidade e foi produzida pelos irmãos Lumière: se o trem começou com o cinema, nunca saiu dele, seja em filmes de faroeste ou até de suspense!

O programa mostrou, ainda, que este meio de transporte acompanha a evolução da história moderna do homem. O primeiro era sobre trilhos, puxado a cavalos. Mas, aos poucos, os trens foram se transformando e chegaram até a máquina a vapor e aos de hoje em dia, que são tão rápidos quanto os aviões.

Vídeo da Matéria:

https://gshow.globo.com/TV-Rio-Sul/Rio-Sul-Revista/noticia/revista-deste-sabado-21-falou-sobre-a-paixao-por-trens.ghtml

“Jornalista de sindicato não entra”

Soraya Misleh
Comunicação SEESP

A imprensa do SEESP foi impedida de acompanhar audiência pública conjunta das comissões permanentes de Constituição, Justiça e Legislação Participativa (CCJ) e de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal de São Paulo na tarde desta quinta-feira (15/03). A sessão sobre o Projeto de Lei 621/2016 – denominado SampaPrev, que visa alterar a previdência dos servidores públicos da Capital – teve acesso restrito inclusive aos principais interessados: os trabalhadores que serão diretamente afetados pela mudança pretendida, entre eles engenheiros. Somente quem conseguiu uma disputada senha de acesso pôde ingressar na “Casa do Povo” – cujos portões permanecem cerrados, guardados pelos escudos e munições da Inspetoria de Operações Especiais da Guarda Civil Metropolitana (Iope/GCM).

 

audiencia sampaprevServidores públicos e imprensa sindical são impedidos de acompanhar audiência na Câmara sobre SampaPrev.

Já na busca por atravessar essa primeira barreira, a GCM questionou o cartão de comunicação sindical, mas deixou passar. Em frente ao Salão Nobre, contudo, o assessor de imprensa institucional da Casa, Leandro Martins, não teve dúvidas em ratificar a distinção de tratamento de uma mídia para outra. “Jornalista de sindicato não entra, precisa pegar senha de acesso à audiência. Só veículo de comunicação pode acompanhar”, disse, sem dar atenção ao esclarecimento da imprensa do SEESP de que a cobertura seria feita para o site da entidade – portanto, um veículo de comunicação.

A limitação de acesso era garantida pela GCM, causando indignação a servidores públicos também em frente ao Salão Nobre. Muitos encararam uma fila desde manhã para receber senhas de acesso e denunciavam que a Câmara diminuiu a quantidade para aquém da capacidade de público de 350 pessoas do local – distribuíram, conforme relatos, algo como cinco por sindicato.

Enquanto isso, a “audiência pública” seguia, com apresentação por parte do representante do governo Doria do SampaPrev. Ao sair do Salão Nobre, o deputado estadual Carlos Giannazzi (PSOL) foi categórico: “É para inglês ver.” Acompanhe online aqui.

Nota de repúdio – Não à truculência, em defesa dos servidores municipais

 

Link: http://www.seesp.org.br/site/index.php/comunicacao/noticias/item/17330-nota-de-repudio-nao-a-truculencia-em-defesa-dos-servidores-municipais#.WqrQ7P56zdE.whatsapp

 

O Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP) repudia firmemente a violência com que foi reprimida a manifestação pacífica dos servidores municipais de São Paulo, inclusive a nossa categoria, na quarta-feira (14/3), na Câmara Municipal, transformada em praça de guerra. Balas de borracha, bombas e cassetetes foram a resposta dada à expressão de desacordo dos trabalhadores em relação Projeto de Lei 621/2016.

A proposta, que a Prefeitura insiste em fazer transitar a toque de caixa e sem estabelecer diálogo, fere direitos e reduz vencimentos de um quadro de servidores que já pena com a falta de reposição salarial que preserve seu poder de compra e condições de sobrevivência.

Para além do equívoco da proposição, os trabalhadores têm o direito democrático  de se mobilizar contrariamente a medidas que julguem prejudicá-los. As forças de segurança do Município estão a serviço dos seus cidadãos; não se destinam a agredir os servidores que garantem o funcionamento da cidade.

É preciso fazer valer a democracia e os direitos dos servidores.

São Paulo, 15 de março de 2018
Diretoria do SEESP

 

População rechaça proposta de Doria para revisão da Lei de Zoneamento

Secretária de Urbanismo de São Paulo diz haver “incompreensão” sobre projeto e nega favorecimento ao setor imobiliário. Previsão é que município deixe de arrecadar R$ 150 milhões por ano
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 01/03/2018 13h12, última modificação 01/03/2018 13h45
Audiência Pública Zoneamento

Organizações ergueram bandeiras em forma de prédios para ilustrar o que vai ocorrer com a cidade

São Paulo – A última audiência pública sobre a proposta de revisão da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS), a chamada Lei de Zoneamento de São Paulo, realizada ontem (28), foi marcada por um auditório lotado acima da capacidade e pela rejeição quase absoluta à proposta da gestão do prefeito da capital paulista, João Doria (PSDB). Dos 39 participantes que pediram a palavra, apenas um concordou com as mudanças propostas, que passam por descontos de 30% a 50% na outorga onerosa – compensação financeira paga por quem pretende construir além do limite básico –, redução da obrigação de cumprir as cotas de solidariedade e ambiental, permitir construção de prédios maiores em miolos de bairro e com mais garagens.

Nas falas dos participantes, a mais presente crítica foi a de que a gestão quer beneficiar o mercado imobiliário, já que não há como garantir, por exemplo, que os descontos concedidos na outorga onerosa vão se refletir em menores preços de moradias. Além disso, ao permitir maiores construções nos miolos dos bairros, mais garagens e desobrigar as cotas sociais e ambientais, o poder público deixa de agir como estruturador do desenvolvimento da cidade, deixando essa decisão para o mercado imobiliário.

A justificativa da prefeitura é que “as correções e ajustes na LPUOS são necessários para garantir uma melhor aplicação da lei”. Essa decisão foi tomada no âmbito da Secretaria de Urbanismo e Licenciamento. O presidente do Conselho Consultivo do Secovi – sindicato dos empresários do mercado imobiliário –, Claudio Bernardes, preside também o Conselho de Gestão da pasta, responsável por orientar a política da área. A prefeitura já havia concordado com a proposta de revisão após um evento que teve a participação de Doria no Secovi.

O debate começou com quase duas horas de atraso. O teatro do Sesc Consolação, na Vila Buarque, região central, ficou lotado. A todo momento, os participantes entoavam em coro “não, não, não à revisão” e bandeiras em forma de prédios eram erguidas para encobrir a mesa de representantes da prefeitura, em alusão ao que vai acontecer com os bairros que sofrerem verticalização ostensiva.

A secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento, Heloísa Proença, afirmou que a rejeição à proposta se deve a uma suposta não compreensão da proposta pela população. “Entendo que a proposta não está esclarecida. Queremos aumentar e não reduzir a arrecadação da outorga onerosa. O melhor ano foi em 2011, quando arrecadamos R$ 340 milhões, mas desde então vem caindo. Muitas adequações não podem ser feitas por decreto ou portaria, só por projeto de lei”, explicou.

Heloísa também reclamou que está havendo “desinformação”, inclusive, de organismos técnicos, como o Sindicato dos Arquitetos de São Paulo (Sasp) e o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). “Não procede que a proposta mexe no Plano Diretor. A lei prevê que o gabarito (tamanho dos prédios) e a outorga podem ser regulados por meio da Lei de Zoneamento. Também previa que instrumentos podiam ser revistos. Ainda falta muito para que a população fique esclarecida e precisa de um esforço nosso para isso. É um assunto árido.”

“Querem deformar a lei”

A verba arrecadada com a outorga tem como destino a implementação de infraestrutura urbana em regiões periféricas da cidade. O objetivo exposto pela gestão de Fernando Haddad (PT), responsável pela revisão do Plano Diretor Estratégico (2014) e da Lei de Zoneamento (2016), era “capturar” parte da valorização imobiliária que explodiu na cidade desde 2009 e revertê-la em benefício da população em geral. Cerca de 30% dos investimentos em infraestrutura da gestão Haddad utilizaram verba oriunda de outorga onerosa. A previsão é que gestão Doria vai deixar de arrecadar cerca de R$ 150 milhões por ano para favorecer o setor imobiliário.

“Querem deformar uma lei aprovada com ampla participação popular, dos técnicos da prefeitura e dos vereadores. Vai deixar a construção de moradias e o desenvolvimento da cidade em situação difícil, concentrando dinheiro nas mãos de quem sempre ganhou mais”, afirmou Antônio Pedro de Souza, da Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo (Facesp). “Por que o Secovi e o Sinduscon (sindicatos dos empresários do mercado imobiliário) não vêm aqui? Porque eles já foram ouvidos e contemplados”, completou.

Alexandre Bonfim, da União de Movimentos de Moradia, denunciou que os conselhos com participação da sociedade não foram consultados para elaboração da minuta. “Os conselhos de Habitação, de Política Urbana, não foram ouvidos. Não vamos aceitar que seja desmontada uma política que mal começou a ser implementada. Se a gestão não retirar, vamos ocupar prefeitura, câmara, o que for. Tem de ouvir o povo”, afirmou.

A militante do Movimento pela Regularização Fundiária e Urbanização (MRFU) de Parelheiros Simone Stefani cobrou que a gestão Doria invista esforços em regulamentar a legislação sobre regularização fundiária, em vez de tentar modificar a Lei de Zoneamento. “Vocês não conhecem a situação do povo pobre. Essa medida ainda vai acabar com a pouca verba que tem para melhorar a nossa situação. Mostram desenhos bonitos, mapa, mas pra nós isso não vai melhorar nada”, afirmou.

O presidente do Sindicato dos Arquitetos de São Paulo, Maurílio Chiaretti, defendeu que a gestão Doria deveria primeiro aplicar a lei existente e não buscar desvirtua-la. “Essa proposta altera todo o arcabouço legal do desenvolvimento urbano da cidade. E está jogando no lixo todo o debate sobre a cidade em que participaram 25 mil pessoas”, disse. Para ele, por exemplo, o desconto da Outorga Onerosa não vai beneficiar os consumidores, mas sim “ser embolsado pelos proprietários de terras”.

Mesmo quem apontou a necessidade de ajustes, se colocou contra a proposta da prefeitura. Para Adriana Levisky, da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura, “o arcabouço criado pelo Plano Diretor é um dos mais avançados do mundo e não se pode colocar em risco o que foi construído, promovendo uma ampla reforma da lei”. Ela apontou, porém, necessidade de ajustes no retrofit – sistema de reforma de prédios – para o qual não há estímulos financeiros, a transferência de potencial construtivo – quando se adquire o direito de construção maior em uma área e se aplica em outra –, por exemplo. “São pontos que dificultam a aplicação da lei”, concluiu.

No último dia 22, um grupo de 156 organizações encaminhou carta ao prefeito pedindo que ele retire a proposta de revisão da Lei de Zoneamento. Para as entidades, a proposta “atende a interesses privados, de um setor específico da cidade (mercado imobiliário), em detrimento ao interesse público”. Elas apontam riscos como queda de arrecadação, piora do trânsito em regiões já saturadas, extinção de bairros residenciais e mais exclusão da população de baixa renda da região central.

 

Chamamento em defesa da mobilidade urbana como direito social – Comunicação SEESP

O presidente da Frente Nacional pela Volta das Ferrovias (Ferrofrente), o engenheiro José Manoel Ferreira Gonçalves, lançou, nesta semana, o manifesto público “A mobilidade urbana como direito”, que reproduzimos a seguir:

“A condição em que se realizam os deslocamentos de pessoas e cargas numa cidade, a chamada mobilidade urbana, que para ser adequada depende de políticas púbicas de transporte abalizadas em estudos técnicos, de engenharia e estudos sociais, é um tema extenso e complexo por motivos vários, notadamente por dois: por envolver diferentes modais de transporte funcionando em sincronia e sinergia; e atender pessoas de diversos extratos sociais e com diferentes necessidades.

Gostaria de, por meio deste manifesto público, conclamar os brasileiros que atuam no setor, bem como os demais cidadãos interessados, a promovermos um debate que culmine no oferecimento de uma proposta aos poderes constituídos, no sentido de potencializar a infraestrutura instalada bem como propor novos investimentos voltados ao interesse do cidadão, notadamente daquele mais necessitado e dependente do meio público de transporte.

Dada a natural amplitude do tema, queremos neste primeiro momento propor um recorte específico que foque, por um lado, no atendimento a esse cidadão mais carente, o de menor poder aquisitivo, que num país em desenvolvimento como o nosso representa sempre a absoluta maioria numérica das pessoas. Por outro lado, que nos fixemos no modal ferroviário, em suas diversas versões como metrô, trem convencional, monotrilho e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

O que estamos propondo é uma grande cruzada, conclamando os usuários, a classe política, os engenheiros e os executivos das empresas a emprestarem sua voz e experiência para assim construirmos um processo de discussão do qual possamos, ao final, gerar e apresentar um relatório amplo, que aponte soluções concretas, com propostas viáveis de projetos factíveis que construam a mobilidade urbana que queremos e que todos têm direito.

Quando falamos em mobilidade urbana, invariavelmente nos vem à mente as grandes metrópoles e aglomerados de pessoas e veículos. Temos mesmo de pensar em soluções que diminuam o tempo de deslocamento e o estresse gerado nas macrometrópoles, pensar maneiras de aliviar o sofrimento no percurso e o tempo nele perdido nessas cidades inchadas que o desenvolvimento mal planejado gerou. Mas precisamos de soluções também para as cidades não tão grandes, como as principais capitais e demais cidades de porte, nas quais o problema também se apresenta com crescente intensidade.

É fato que a constante valorização dos imóveis urbanos gera maior inacessibilidade para compra ou aluguel, o que tem gerado a expulsão de grandes contingentes de família cada vez mais para as áreas mais remotas e distantes do local de trabalho, escola e lazer.

Também é fato que os recursos públicos para minimizar esse problema estão, mais que nunca, escassos. Neste contexto, só a criatividade e inteligência terão o condão de superar essa dificuldade.

Por exemplo, muitas vezes uma solução de mobilidade pode estar fora da infraestrutura, e estar no planejamento, por exemplo. Uma hipótese inicial que defendo é o incentivo público para que empresas que absorvam muita mão de obra se instalem nas novas áreas em que se adensou a população.

Por meio do debate aqui proposto, temos a convicção que em alguns meses será possível apresentar aos governantes um projeto democrático, soberano e nacionalista. Democrático por ser a expressão do trabalho e pensar de muitos; soberano porque engendrado por pessoas interessadas no bem comum, no bem público e não de empresas ou setores; e nacionalista porque vai privilegiar o produto nacional, a engenharia nacional e, mais que tudo, investir os recursos envolvidos em máquinas e produtos nacionais, que geram empregos aqui e, assim, desenvolvam nossa economia.

Em se tratando de investimento público, creio que estejamos todos de acordo quanto a que o cidadão deverá sempre estar em primeiro lugar. A engenharia pode ajudar nisso, encontrando soluções viáveis e exequíveis. As instituições podem ajudar. O cidadão tem muito a contribuir.

Por meio da FerroFrente, entidade que defende a volta das ferrovias e que tenho honra de presidir, receberemos sugestões e artigos que proponham soluções. Procuraremos dar publicidade a essas contribuições, assegurando, claro, a menção à autoria.

A mobilidade é um direito de todos, e quem tem pouco dinheiro tem o mesmo direito à mobilidade de quem tem. Propomos atender esse direito de forma propositiva, com projetos de viabilidade.”

País está dividido: pobres com Lula e ricos contra ele

Pesquisas do DataFolha mostram como pobres e ricos estão em polos opostos no país hoje e as camadas médias estão divididas. A Folha, proprietária do instituto de pesquisas, escondeu o fato em suas reportagens. Mas as pesquisas são claras: pobres querem que Lula concorra às eleições e ricos não; pobres querem Lula presidente e ricos não; pobres têm taxa de rejeição a Temer muito superior à dos ricos. Veja os gráficos extraídos das planilhas do DataFolha: eles são taxativos –no Brasil, pobres de um lado, ricos do outro; e as camadas médias em disputa.

Por Mauro Lopes*

Nos dias 29 e 30 de janeiro, menos de uma semana depois da condenação de Lula pelos desembargadores do TRF4, em Porto Alegre, o DataFolha, instituto do grupo do mesmo nome, ouviu 2.826 pessoas em todo o país sobre três temas. Foi um campo único, mas apresentado nas páginas do jornal dos Frias como três pesquisas: sobre como a população vê o desdobramento da condenação de Lula, o impacto da decisão dos desembargadores nas intenções de voto para presidente e, finalmente, sobre a “popularidade” do governo Temer.

A constatação que emerge das pesquisas é taxativa –mas foi sonegada aos leitores da Folha nas reportagens: é a luta de classes que dá o ritmo da vida nacional hoje. Os pobres estão em posição diametralmente oposta à dos ricos.

Primeiro, quanto ao desdobramento da condenação de Lula do ponto de vista de sua presença na eleição presidencial.

Para 58% dos mais pobres do país (com renda até 2 salários mínimos), Lula deve ter o direito de concorrer; para 70% dos ricos (com renda superior a 10 salários mínimos), Lula deve ser barrado. O gráfico tem  uma evolução notável: quanto mais se sobe na renda, mais o desejo de ver Lula proibido de concorrer. O DataFolha interrompe a pesquisa no universo dos ricos numa faixa “mais de 10 salários mínimos” de renda mensal (mais de R$ 9.370,00), mas a linha indica que quanto maior a renda, maior deve ser o desejo de bloquear o direito de Lula concorrer. Seria interessante ter os dados para renda superior a 20 SM (R$ 18.740,00) e mesmo superior a 40 SM (R$ 37.480,00), onde seria possível capturar com mais nitidez a posição, de juízes, altos executivos do Estado e do setor privado, empresários e rentistas.

Veja o gráfico:

A situação é a mesma quando se observa a opinião das pessoas a partir do recorte sobre sua escolaridade. Num país ainda marcado pela herança da escravidão, aos pobres é negado o direito ao estudo formal. Os números são praticamente idênticos ao gráfico a partir da renda: 60% das pessoas que tiveram apenas acesso ao ensino fundamental (os mais pobres) desejam ter direito a votar em Lula; 59% dos que têm ensino superior querem barrar Lula. Os números são quase idênticos aos referentes à renda:

Quando se examina a intenção de voto para a eleição presidencial, o mesmo quadro. Quase a metade dos mais pobres (48%) declara intenção de voto em Lula. Apenas 21% dos mais ricos manifestam a mesma intenção.

Veja:

O quadro se repete no recorte por escolaridade. Lula tem quase a metade da população com acesso até o ensino fundamental ao seu lado (49%) e 23% dos que têm ensino superior:

Importante: assim se apresenta o cenário dos desejos do país enquanto a Lula tem sido massacrado pelos conglomerados midiáticos dos ricos (comandados pela Globo), sem direito a resposta ou mínima expressão. Imagine-se o que aconteceria se Lula tivesse acesso às mídias ou se tiver direito ao horário eleitoral gratuito e a debater com outros candidatos. É esse o medo-pânico dos ricos.

Uma questão crucial na disputa em curso no país e que as pesquisas indicam é a posição das camadas médias. Elas estão divididas, mas apresentam uma tendência antipática a Lula, provavelmente sob o impacto do fogo cerrado das mídias de massa contra Lula, o PT e a esquerda –todas as mídias de alto impacto estão sob controle das elites. Mesmo assim, defendem o direito de Lula concorrer 38% dos que recebem entre mais de 2 e até 5 salários mínimos e 33% da faixa imediatamente acima (mais de 5 SM e até 10). São 43% aqueles que têm ensino médio e querem que Lula concorra.

O cenário quanto à intenção de voto mostra também as camadas médias divididas: 28% dos que recebem entre mais de 2 SM e até 5 dizem que querem votar em Lula, número que cai para 22% na faixa entre mais de 5 SM e até 10. Dos que cursaram até o ensino médio, 34% afirmam que votarão em Lula.

Nestas camadas da população, mais aderentes ao discurso ideológico dos ricos, além da influência das mídias, temas que desgastem a arquitetura discursiva do golpe podem ter relevância, como a desconstrução do Judiciário. O Poder, apresentado ao país como paladino da Justiça, revela-se mais e mais como mero garantidor de privilégios dos ricos (juízes, procuradores e promotores entre eles).

Por fim, o olhar para Temer. Apesar de a rejeição ao governo do golpe ser brutal em todas as faixas, em função da destruição do país, o caráter de classe na avaliação é, mais uma vez, patente:  73% dos mais pobres (até 2 SM) consideram o governo ruim/péssimo – o índice cai para 58% na faixa de renda superior a 10 SM:

A luta está aberta; o país está dividido e as camadas médias em disputa. Quando a divisão será expressa em mobilização nas ruas? Parece uma questão de tempo.

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* Gilberto Maringoni foi a “fagulha” que acendeu o artigo, ao sugerir um olhar direto às planilhas do DataFolha; as ponderações de Antônio Martins quanto às camadas médias iluminaram a análise